quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Que País é Esse ?!

Hoje, mais um calhorda é solto pela "justiça" brasileira.
A bola da vez é Marcos Valério, e sua trupe de malfeitores. Ao menos, nem todos eles foram libertos.
Pra quem não se lembra, Marcos Valério é aquele do mensalão. Aquele lá, que roubou nosso dinheiro, encomendou Inquéritos Policiais para favorecer empresas, essas coisas.
Ele foi liberado com a "desculpa", dada pelo seu advogado, de que as provas que, com certeza, incriminariam qualquer indivíduo comum, não são válidas para seu cliente, por terem sido conseguidas de forma ilícita, como escutas telefônicas entre advogado e cliente.

Pois bem. Agora, quando perguntarem "Que país é esse", já sabemos o que responder:
Um país onde 92% das pessoas presas pela polícia federal não ficam nem sequer trinta dias na prisão.
Um país onde trabalha-se meio ano só para pagar impostos (que correm o risco de serem roubados).
Um país onde a criminalidade mata mais que qualquer outra guerra do mundo.
Um país onde pessoas morrem de fome e de cede todos os dias.

- Que País é Esse ?
A PORRA do Brasil !

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

E que comecem os jogos !

É isso aí. Hoje da-se início à carnificina psicológica televisionada. Um jogo onde as pessoas guerreiam entre si, em troca de um prêmio em dinheiro.
Uma psicóloga, amiga minha, diz que o ser humano é mau em sua essência, e, o que o torna bom são as leis morais e éticas.
Pois é, em um jogo onde a única lei é que as pessoas só não podem se agredir fisicamente, a vilania humana fica ainda mias clara, e exposta.
Onde nada é trapaça, e tudo é lícito, ser honesto é impensável. Só com muito calculismo frio e manipulação barata se joga o jogo.
Os jogadores são eliminados através da platéia brasileira, de acordo com a visão que tem deles, ou, da visão que outros fazem com que tenham.
O cenário dessa atrocidade? Uma casa, enorme, com equipamentos de última geração. Academia, piscina, e outros itens de lazer. E tudo isso é dado de graça aos jogadores.
As contas dessa casa são pagas pelos espectadores, ansiosos pra ver pessoas comuns destruindo umas às outras com os métodos mais desprezíveis possíveis. Tudo é válido para conquistar o prêmio final. Só não vale ser ético.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Ironia Cruel

Hoje, fui ao cinema, assistir Crepúsculo; um filme que você já deve ter assistido, lido o livro, ou ao menos, ouvido falar.
Mas, como eu já foi mostrado no último post, esse é um blog de críticas sociais, e não cinematográficas.
Nem precisa se perguntar porque eu estou falando de filmes, porque, não é de filmes que vou falar. O fato é que, no caminho de volta, percebi que havia um homem negro, pobre, que colhia restos de comida em lixos residenciais, ao invés de roubar pessoas trabalhadoras (ou não), como muitos fazem. Eu, com meu coração tocado, lhe dei R$2,35.
Não precisa também se perguntar o porquê de eu estar sendo tão exato, porque já vou chegar nessa parte.
É que, ao ver a humildade daquele homem, em receber aquele dinheiro, e a forma como me agradeceu (com um "Deus lhe abençoe"), me coloquei a pensar.
Eu, voltando de um cinema, onde paguei R$8,00 (meia entrada); com minhas roupas, que juntas totalizavam um valor de R$472,89; e dei R$2,35, um dinheiro que não pagaria sequer a minha condução de ida ao cinema, a uma pessoa que passava fome !
O pior era que, antes de me dar conta disso, meu sentimento era de desencargo emocional. Era como se eu tivesse feito a boa ação do ano !
Minha crítica de hoje é a isso. A esse sentimento universal, de que as sobras que caem da nossa mesa salvam milhares de pessoas. Pode até salvar, se a mesa for grande e farta, mas, ainda assim, não é, nem nunca vai ser o suficiente.
As pessoas cortam despesas para poupar pra faculdade, cortam despesas pra viajar, cortam despesas para comprar roupas; mas, não cortam despesas para ajudar o próximo.
Para si mesmo, dívidas são necessárias, para o próximo, o que sobra é suficiente. E, quando não sobra, fazer o que, não é ?
A caridade do ser humano acaba onde começam suas necessidades, ou, muito mais comumente, suas futilidades.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Primeira Postagem

Esse blog tem como objetivo expor minhas ironias e frustrações a respeito desse mundo em que vivemos. Também quero mostrar aqui alguns poemas meus e de meus autores favoritos
Como primeira postagem, quero colocar um poema de meu autor predileto, Fernando Anitelli, que expressa toda a idéia que pretendo desenvolver com esse blog.

A Metamorfose ou Os Insetos Interiores ou O Processo

O Teatro Mágico

Composição: Fernando Anitelli

Notas de um observador:

Existem milhões de insetos almáticos.
Alguns rastejam, outros poucos correm.
A maioria prefere não se mexer.
Grandes e pequenos.
Redondos e triangulares,
de qualquer forma são todos quadrados.
Ovários, oriundos de variadas raízes radicais.
Ramificações da célula rainha.
Desprovidos de asas,
não voam nem nadam.
Possuem vida, mas não sabem.
Duvidam do corpo,
queimam seus filmes e suas floras.
Para eles, tudo é capaz de ser impossível.
Alimentam-se de nós, nossa paz e ciência.
Regurgitam assuntos e sintomas.
Avoam e bebericam sobre as fezes.
Descansam sobre a carniça,
repousam-se no lodo,
lactobacilos vomitados sonhando espermatozóides que não são.
Assim são os insetos interiores.

A futilidade encarrega-se de maestra-los.
São inóspitos, nocivos, poluentes.
Abusam da própria miséria intelectual,
das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia.
O veneno se refugia no espelho do armário.
Antes do sono, o beijo de boa noite.
Antes da insônia, a benção.

Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa.
A família.
São soníferos, chagas sem curas.
Não reproduzem, são inférteis, infiéis, in(f)vertebrados.
Arrancam as cabeças de suas fêmeas,
Cortam os troncos,
Urinam nos rios e nas somas dos desagravos, greves e desapegos.
Esquecem-se de si.
Pontuam-se:
"A cria que se crie, a dona que se dane !"

Os insetos interiores proliferam-se assim:
Na morte e na merda.

Seus sintomas?
Um calor gélido e ansiado na boca do estômago.
Uma sensação de: o que é mesmo que se passa?
Um certo estado de humilhação conformada o que parece bem vindo e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada
Que romper com as correntes de preguiça e mal dizer.
Silenciam-se no holocausto da subserviência
O organismo não se anima mais.
E assim, animais ou menos assim,
Descompromissados com o próprio rumo.
Desprovidos de caráter e coragem,
Desatentos ao próprio tesouro...caem.
Desacordam todos os dias,
não mensuram suas perdas e imposturas.
Não almejam, não alma, já não mais amor.
Assim são os insetos interiores.